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Archive for May, 2009

A tristeza

E o retrato? E o sapato?

Tainá Goulart

Tainá Goulart

Não há sobras de comida.

E o arroz?  E o palmito?

Não há mercadorias neste momento!

 

O aviso , fixado no andaime,

Não me faz nenhuma diferença.

Vou pular, mesmo assim.

Vou voar mesmo assim.

 

Sonhar é estar zangada ao dormir.

Saudade é o amor conjugado no passado.

Sozinha é ser triste. Tristeza

Estou triste por sonhar com muitas saudades.

 

Criarei o prato do dia.

Não quero vender pois está estragado.

Estou estragada.

Estou triste.

 

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Eu olho para o homem

Que está com as mãos livres.

A arma está a seu lado.

A heroína está em seus pensamentos.

 

Felicidade está longe, muito longe.

Ela voa como aviso na fumaça .

Aquele que muitos se recusam escutar.

 

Olhai suas mãos engatilhadas,

Prontas para apontar o meu novo erro.

Olhai seus pensamentos dopados,

Prontos para atirar e me matar.

Olhai a única multidão

Cançada de manter alguma prontidão.

 

Multicoloridas são fotografias.

Multicoloridas são suas palavras.

São farpas pequenas em minúsculos espaços.

Deixe-me colocá-los em seus olhos.

Chorar, não adianta!

 

O amor! O amor! O amor!

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Um singelo lembrete. Um aviso na geladeira poderia ter mudado o curso  da nossa história. Por volta das oito e meia da manhã, Francisco passou com seu Tempra, da empresa que trabalhava, pela rua dos trabalhadores e parou do outro lado do ponto de carona.

– Vocês estão indo para a Univesp ?

Um jovem de uns dezoito anos respondeu:

– Sim. Cabem quatro aí?

– Cabe sim , entrem , podem entrar.

Todos que estávamos na fila de caronas entramos no Tempra da empresa. O banco do motorista estava quebrado e seu Francisco comentou sobre:

– É , tá quebrado mesmo…não deu tempo de concertar. Sabe como que é , né. Essa vida de trabalhador atrapalha , né!

– Claro, posso ver sim. Disse outro jovem, de cabelos negros e que aparentava a mesma idade do outro.

Eu estava no meio do banco traseiro e ouvindo a conversa dos homens. Na verdade, verdadeira, eu apenas prestava alguma atenção na conversa, mas o resto dos meus pensamentos estava concentrado nas letras das músicas de certo grupo diferente. “ Mediocridade, eu sei quando eu sinto saudades” era uma das frases que me instigava muito e que fazia-me prestar atenção nas palavras do senhor Francisco.

– O senhor passa sempre por aqui ? Perguntei.

– Ah quase sempre.. é que meus filhos vêm comigo, sabe!

– E quantos anos seus filhos têm?

– O mais velho tem dezoito e o outro dezessete.

– Olha, eles fazem o quê na Univesp?

– Nada. Não terminaram a escola. Tiveram que trabalhar comigo, porque o salário lá na empresa não é muito, não!

 – Mas o que aconteceu com eles?

–  Não sei o que aconteceu com eles. Nem um bilhete na geladeira eles se lembram de deixar pra mim!

O senhor reclamava da vida , daquela que fora tão diferente de seus caronistas! Todos os quatro do carro faziam algo na Univesp, tinham casa, comida, luz e deveres apenas de cidadãos para com o Estado e a sociedade.

Francisco tinha seus deveres também. Mas , além disso, possuía as responsabilidades de ser trabalhador pobre , em um país chamado Brasil. O sustento da família dependia do pai e dos filhos. A educação não dependia de ninguém, pois o que vem primeiro é a fome.

            Caro expectador dessa vida, você deve estar pensando que estou descrevendo um paupérrimo, que não tem nada em sua casa para comer. É essa a realidade do país do futebol. É apenas abrir os olhos e olhar, não fingir que olha!

            Ao final da carona inesperada, Francisco nos fala:

– Bons estudos pra vocês, em! Olha estudem bastante para não ser alguém como eu, pois trabalhar não é mole não!

– Claro seu Francisco. Vamos estudar pra melhorar algo , não? Respondi. Acho que ele não ouviu e saiu rapidamente com seu carro. Ou pode ter ouvido e não soube responder. Palavras faltaram para aquele homem do apito, da rotina, dos parafusos e óleos. Palavras faltaram para uma menina dos cadernos, lápis, livros e conhecimento. Palavras faltaram para os pobres, os ricos, os políticos e para a sociedade.

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Eu vi Saturno

Eu vi Saturno no céu.  Uma experiência tão mágica, recheada da vontade de tocar. O amor das estrelas invadiu meu corpo e meu pescoço foi obrigado a se dobrar em continência ao céu. Este nunca mais me será o mesmo. O caminho do meu olhar precorrerá o céu e achará o seu. O meu encontro é com você.

Acho que o escorpião está ao lado de Antares. Eu sou sua Antares, seu Cruzeiro, sua Estrela. As distâncias astronômicas não nos impedem de nos amarmos. Não impedem nosso beijo e nem nossos carinhos.

Alugo meus sonhos para morar com os seus. E nem a rima mal feita deste texto não impede a compreensão. Nem os diálogos proferidos aqui, na minha memória. Além disso, as chaves da próxima dimensão estão jogadas no inconsciente alheio, um inconsciente que não pertence a mim. Nem mais sei qual é a sua cor, seu formato, seu valor. Apenas sei que irei buscá-la. Vou abrir nosso caminho e nos veremos no céu, das nossas estrelas.

A melodia forte das batidas dos seus dedos levam informações pelas vibrações. Quando eu sinto , digo a resposta nas notas da minha voz. Eu mando levar meus sonhos para que sejam os seus. Trago seus sonhos para transformar nos meus. É a felicidade de estar ao seu lado que nos torna únicos.

Eu quero encontrar os delírios no céu de Saturno. São como as imagens que vemos em livros, mas estas não queimam, não felicitam, não mudam sorrisos. As borboletas que voam pelo espaço são minhas amigas de tempos, desde nosso começo neste mundo. Tarám.. Ta taram………

Auto. Vejo eu e você. Vejo o amor. Vejo tolices. Vejo corredores , pelos quais corremos, cansamos, caímos e rimos.

Medo. Não é para sempre. Não é estúpido. Não temos chaves dos corredores errados.

Sim. Sim, eu te amo. Sim, eu digo bem alto. Sim, eu te amo.

 

Fim!

 

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NÃO É CULPA, NÃO É NADA MEU.

VOCÊ É BAIXA, CAIXA ALTA DE HORROR.

ODEIO SUA BOCA,

SEUS CABELOS FEIOS,

SEUS DENTES BRANCOS.

NÃO É MINHA CULPA.

NÃO É MINHA CULPA.

 

O MEU EIXO CIRCUNDANTE

TRAZ O MEU ROSTO PARA AS BOFETADAS.

EU RECEIO ESTAR SOSINHA

NO MEIO DE UM MATO SEM CACHORRO.

 

ODEIAM-ME

REJEITAM-ME

SOU ESTRANGEIRA EM TERRA MINHA.

 

NÃO É CULPA,  NÃO É NADA MEU.

EU SOU ALTA , EM NEGRITO AVANTAJADO.

AMO MEU JEITO.

E O OLHAR SORRATEIRO.

É MINHA VERDADE.

TUDO MEU.

woody allen

woody allen

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Quaresmeira!

Sou menina, mocinha, ingênua!

Vejo meus discos e sonho.

Vejo meus CDs e grito.

Estou a envelhecer!

 

Sou velha, indecente, fora do comum!

Vejo minhas pelancas e grito.

Vejo meus cabelos brancos e começo a andar,

Mas meu andador me acompanha.

 

Sou morta, carniça, vegetal!

Vejo minhas bactérias e choro.

Vejo meu túmulo e descanso.

Não há nada a fazer!

 

O meu corpo já é palha.

Minha alma é mais uma.

Minhas ideias já não são mais minhas!

O vento acabou e meu oxigênio também.

Esse é o triste fim da Quaresmeira!

 

Tainá Goulart

Tainá Goulart

 

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