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Archive for October, 2010

Fotos do show do Autoramas ano passado, aqui em Bauru, na sede do SESC. Muito bom! Logo posto mais fotos.

Bjas pra quem fica,

T.G.

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Meu pai

Tudo sobre minha mãe.

Já era tarde quando pensei na possibilidade de assistir a algum filme. Há tempos que venho namorando “Tudo sobre minha mãe”, de Almodóvar. Então, decidi por este e aquele. Primeiramente, a história era total desconhecida a minha pessoa. Segundo, gostaria de ver um filme com cores e uma boa história. Não estou passando por um momento muito bom em minha vida. Acho que minhas histórias ficam parecidas com as dele, a cada dia que passa.

“Tudo sobre minha mãe” me tocou como nada comparável. Comecei a assistir e aos poucos, sem perceber, lágrimas escorriam por entre meu rosto. Meu olhar vago estava em oposição aos meus pensamentos. Estes estavam no filme, vivendo o filme. É engraçado como me identifico com as histórias do Espanhol. Identificou-me com suas prostitutas, seus dilemas, com suas cores e com a morte. Sim, a morte é uma parceira, anda de mãos dadas com meus pensamentos. Implícitos ou não.

É necessário saber das histórias da minha vida para poder entender o porquê desta significativa identificação. Mas a morte, esta sim eu explico. Aos 11, perdi meu pai. Aos 18, meu Tio. E a história do menino que é atropelado, deixando sua mãe inconsolável, parece-se um pouco com a minha. Ambas tratamos a perda com um quê diferente. Para mim, foi indiferente. Para ela, conseqüente.

Não havia convivido muito com meu pai. Quase sempre ele me decepcionava, mesmo eu sendo uma criança. Nunca foi meu pai, ele foi apenas um retrato. Nunca foi retrato, mas sim algum sentimento. Ah! Esses sentimentos eu gostaria de ter sentido. Mas a sorte não me foi grata e a vida tinha que continuar.

Mãe inconsolada pela morte de seu menino, vai à procura de seu passado. Reencontra-o e ao mesmo tempo, observa seu passado através do futuro. Um novo menino prestes a nascer. Um homem de batons vermelhos nos lábios como pai do passado, do presente. E mais uma vez, a morte vem ao encontro da reflexão.

Hoje, vejo meu presente pelos laços que fiz no futuro. Reflito após “Tudo sobre minha mãe”. Reflito sobre meu pai, minha mãe e minhas escolhas. Não se sabe, ao certo, o final do meu filme. Não se sabia, ao certo, o final daquele filme. Mas hoje eu sei e amanhã saberei tudo sobre mim e tudo sobre minha mãe.

Por Tainá Goulart

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