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Archive for February, 2013

Sentidos

Os prédios lá de fora

Olham minha janela indiscreta.

Meia luz de sensualidade escandalizada.

Posso ser notada, como não.

Mas só querem olhar.

O tato é o rei

O olfato é o paladar.

A audição só server pra enganar

Quem para para ouvir o tempo passar.

Uma, duas, dez, cem horas de pura observação.

Pra que ficar parado e não se mexer?

O tato é o olfato.

O paladar é o próprio homem.

O ser humano é quem se come.

Dia a pós dia.

Num incessante jogo de cidade grande.

Será que pratico autofagia?

Será que a apatia é a melhor saída?

É viver pra saborear.

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Cinza

Se expor nesse mundo

Requer muito mais do que um corpo nu,

Despido de toda sua coragem, vaidade e certeza.

Bombardeada de dúvidas, vindas do céu

Que me avisa que vai chover.

Cinza como o chão da estrada de ferro,

Dos altos, populosos, escondidos prédios.

Está meu pensamento solitário.

Mais do que uma na multidão,

Sou um ser desconexo que clama por atenção.

Não daqueles que me olham,

Mas daqueles que eu não sei olhar de volta.

O futuro espera por mim.

Eu nunca espero por ele.

Atraso, adianto, paro pra analisar.

Um abraço me valeria mais do que o sexo,

O calor do afago me valeria mais do que o próprio futuro.

Quero vendar meus olhos e enxergar o tal do cinza,

Para ver se ele passa mais de pressa.

 

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