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Meu diálogo realmente entrou em crise.

Daquelas bravas, de dar nó de cabeça.

Eu vivo em uma ilusão cheia de pensamentos

Cheia de sonhos acordados e cozinhados

Em uma falta de coragem insana.

 

Já paro e penso duas vezes.

Será que eu quero continuar nesse passo?

Lento e sonhador?

Não, hei de achar uma via mais rápida e segura

Não quero mais ser uma sonhadora de coisas reais.

 

A confiança é meu sonífero e meu despertador.

É ela que me traz de volta ao ano vigente.

É ela que me impede de declarar o meu amor por alguém

Que eu acredito, erroneamente, estar apaixonada.

Mas é ela que me falta para jogar tudo pro lado

E começar a ser o que eu realmente sou.

 

Quero viver de mim mesma

Ser alimentada pela minha criatividade desfocada

Quero ser livre para cantar, dançar, desfocar

Ser o que sou, mantendo o foco no que quero

Quero, quero, quero, mas não posso.

 

Um respiro fundo traz a tona o que eu não quero

Traz aquela preocupação adulta de engolir um sapo por minuto.

Por que crescemos tão covardes? Tão cheios de si, quer dizer, nada?

Precisamos renovar o estômago,

Colocar borboletas

E retirar a gastrite.

 

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Espelho

É dificil passar o tempo consigo mesma.

Quando se tem a imagem no espelho

Reflexo de algo que você tem medo.

 

A luz clareia a escuridão

Daquilo que não se quer observar

Observar para entender a solidão.

 

Os minutos se vão

E eu ainda me observo no espelho

E eu ainda me observo aqui.

 

O reflexo se esvai pelo canto do olho

E ilumina a retina

É ela quem forma a imagem do agora

Aquela imagem que já não me interesso

 

Será que sou espelho do que vejo?

Será que sou a verdade não observada?

Será que sou eu mesma?

 

Quero poder ser espelhada,

Duplicada em alma gêmea.

Quero meu reflexo traduzido no olhar alheio ao meu.

Quero ser a cópia, a original.

Unida a mim mesma por outra dimensão.

Talvez

Talvez eu tenha medo de sonhar

De viver aquilo que acredito

Talvez eu tenha preguiça de andar

Pelo medo de correr e não chegar.

 

Talvez eu tenha medo de alguma coisa

Da qual nem sei do que se trata.

Talvez eu tenha medo de você

Mesmo sabendo que você não existe.

 

Talvez eu tenha medo de mim mesma

De quem eu gostaria de não ter

Sou feita de medos e acertos

Talvez, mas não tenho certeza.

 

De olhos fechados, eu tento seguir

Cobrindo meus olhos pra não me ferir

De braços abertos, eu tento fugir

Caindo no  velho conceito de não desistir.

 

Talvez eu tenha medo do escuro

Mesmo sabendo que ele não está lá

Talvez eu goste de ficar sozinha

Pelo fato de não ter  ninguém pra chorar
Talvez eu goste do que me tornei

Talvez não seja aquilo que sonhei

Talvez não seja nada daquilo

Que outrora um dia planejei

 

De olhos fechados, eu tento seguir

Cobrindo meus olhos pra não me ferir

De braços abertos, eu tento fugir

Caindo no conceito de não cair.

 

Sentidos

Os prédios lá de fora

Olham minha janela indiscreta.

Meia luz de sensualidade escandalizada.

Posso ser notada, como não.

Mas só querem olhar.

O tato é o rei

O olfato é o paladar.

A audição só server pra enganar

Quem para para ouvir o tempo passar.

Uma, duas, dez, cem horas de pura observação.

Pra que ficar parado e não se mexer?

O tato é o olfato.

O paladar é o próprio homem.

O ser humano é quem se come.

Dia a pós dia.

Num incessante jogo de cidade grande.

Será que pratico autofagia?

Será que a apatia é a melhor saída?

É viver pra saborear.

Cinza

Se expor nesse mundo

Requer muito mais do que um corpo nu,

Despido de toda sua coragem, vaidade e certeza.

Bombardeada de dúvidas, vindas do céu

Que me avisa que vai chover.

Cinza como o chão da estrada de ferro,

Dos altos, populosos, escondidos prédios.

Está meu pensamento solitário.

Mais do que uma na multidão,

Sou um ser desconexo que clama por atenção.

Não daqueles que me olham,

Mas daqueles que eu não sei olhar de volta.

O futuro espera por mim.

Eu nunca espero por ele.

Atraso, adianto, paro pra analisar.

Um abraço me valeria mais do que o sexo,

O calor do afago me valeria mais do que o próprio futuro.

Quero vendar meus olhos e enxergar o tal do cinza,

Para ver se ele passa mais de pressa.

 

íris

Não vou deixar de acreditar

Em algo que nunca vi.

São coisas pequenas

Que penetram na íris

E insistem em nos cegar.

Não vejo o agora.

O futuro me cegou.

 

Mesmo que eu imagine

O além negro, que me cega,

Preciso acender as luzes.

Preciso olhar pra mim mesma

E esperar a dor passar.

 

Coisas pequenas

Armadilhas da imaginação.

Saiam de mim

Saiam da minha íris

Saiam da minha vida.

 

Preciso me apaixonar por mim mesma

E não pela via única

De alguém que não sabe de si mesma.

Preciso amar alguém que compartilhe do “nós”

E não de alguém que fale “Oi”

E eu escute “Te amo”.

 

Preciso chorar

Pelos momentos que imaginei

Que observei, pela íris.

A lágrima é o espelho

Que me deixa ver

O além mar.

A mesma coisa se repete.

Vai e vem como um relógio

Que insiste em voltar ao mesmo lugar.

Gostar, talvez eu goste.

Amar, talvez não.

 

A atenção varia.

Mas acaba sempre em você.

Queria não precisar pensar

Nos momentos bonitos que tivemos.

Essa memória eu não pertenço.

 

Algo passado, que não volta.

Não acho os pedaços para lembrar.

Você deveria ter saído,

Mas ainda continua em mim.

 

Vou te esquecer,

Agir como um alguém qualquer.

Não pertencerei a sua vida.

Nem você existirá.

Obrigada por ter feito

Dos segundos da minha vida

Um momento legal.

Adeus.